AQUELE ABRAÇO!


22/04/2009

Não venho com pedidos

com súplicas

anseios.

Venho buscar esse descanso

e para me livrar do peso

de não ver o dedo que rege.



Escrito por Noadir às 09h37
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16/04/2009

É fácil falar de cruz quando se conhece o fim da história.

A pergunta é: eu apenas acredito nisso, ou digeri, e isso corre-me as veias e artérias, regando o cérebro e mantendo os músculos em movimento?

Tomei a cruz?

Ou estou aqui apenas para salvar a vida?

Que seja Fé, e não jogos pragmáticos.

Que seja Amor, e não sentimentos.

Que seja esperança, e não crença.



Escrito por Noadir às 09h02
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14/04/2009

O Senhor cuida do todo

quando eu vejo só parte.

O senhor dá o todo

quando só lhe peço parte.

A parte me apraz

porque sou assim: parte

um traço

uma reta

um ponto na paisagem.

Ao Senhor apraz o eterno

O quadro todo.

E o medo de perder a parte

Talvez venha de não saber

que faço parte do todo.

 




Escrito por Noadir às 08h59
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9/4/2009

Dá-me tua mão

para que eu não me afogue.

Dá-me mão

Ouvidos

Que ouças minha voz

e não o que tenho QUE dizer

Não haja mais conflitos entre isso

e o que tenho A dizer.

O Pai procurou um homem

e achou um menino

ainda.

O homem olhou no espelho

e viu um garoto

ainda.



Escrito por Noadir às 08h56
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30/01/2009

Quero me encontrar contigo

num dos cantos vazios da mente

Desta vez, só desta vez, não falar

Ouvir

Tuas histórias do eterno

Tua risada alta e sonora de Deus

Desanuviar

E esvaziar outros cantos

para enchê-los depois

com o que contaste.



Escrito por Noadir às 08h53
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SOBRE TRIÂNGULOS E ATALHOS


PARA LAURA JACOBY E
MARIA CÂNDIDA BECKER

"Em família, respeitem-se uns aos outros porque assim respeitam a Cristo
"E dessa forma também vocês, esposas, devem sujeitar-se aos maridos, como fazem em relação ao Senhor.
(...)
"E vocês maridos, amem suas mulheres da mesma forma que Cristo amou a igreja e deu a sua vida por ela,
(...)
"E ninguém despreza o seu próprio corpo, antes o alimenta e cuida dele.
(...)
"O homem deve deixar o seu pai e a sua mãe, para se unir à sua mulher, e serão os dois como um só. E sem dúvida há aqui algo de muito profundo com referência à relação entre Cristo e a igreja.
"Portanto repito: cada marido deve amar a sua mulher como a si mesmo, e a esposa que respeite o marido.
"Vocês filhos, porque são do Senhor, obedeçam aos seus pais, pois essa é a atitude justa.
"Vocês, os pais, não exasperem os vossos filhos. Antes eduquem-nos seguindo os conselhos e a doutrina do Senhor".
(Apóstolo Paulo, Carta aos Efésios, paráfrase)



Desculpe se estou pouco à vontade. Nunca vim conversar com um terapeuta. Bonita sua sala. Gostei dessa poltrona de balanço... Ah! É o senhor que senta aqui, doutor? Desculpe. Está bem, não vou chamá-lo de senhor e nem de doutor.
O que me traz aqui?
A formatura do meu filho foi na sexta-feira passada. E desde então, não consegui dormir. Não paro de pensar no passado, especialmente agora que o Natal se aproxima.

Segunda-feira. Somente hoje achei tempo para escrever, conforme havia te prometido, Marieta. Obrigada por sua preocupação comigo. Eu não mereço tanta atenção quanto você tem me dado. Espero que em breve possamos conversar pessoalmente.
O fim-de-semana foi muito cansativo. Na sexta-feira nosso pequeno se formou. Foi linda a festa. Ele estava maravilhoso com aquele terno azul-marinho. Já é um homem... Dançamos a valsa. Foi lindo!
Meu Deus, como o tempo passou! Agora as preocupações se voltam para a faculdade, a via sacra dos vestibulares que começa daqui a semanas. Eu e ele, aqui, sozinhos. Ele é a cara do Josival...


A FORMATURA FOI LEGAL. FOI BEM LEGAL.
MEU PAI ESTAVA LÁ, MINHA MÃE TAMBÉM. O MARIDO DELA TAMBÉM. MINHA NAMORADA TAMBÉM. ACHO QUE SÓ EU MESMO NÃO ESTAVA LÁ. EU ESTAVA NUM CANTO ESCURO DA MINHA CABEÇA, NAQUELA PARTE DA MINHA INFÂNCIA DE QUE NÃO ME LEMBRO. NUM MOMENTO ONDE TUDO O QUE EU CONSEGUIA FAZER É SER FELIZ.
É LÓGICO QUE NÃO ME LEMBRO. MAS SEI. SEI PORQUE ELES ME CONTARAM. E É ISSO QUE ME IMPORTA. QUE ACONTECEU.

Não. Nunca fiz terapia. Você quer saber da minha história, não? Casei-me com a Jussara há vários anos. Fiquei casado por seis anos. Divorciei-me em 1992, há quatorze anos.
Por quê? Não nos dávamos bem. Não havia mais respeito, não havia mais diálogo, e tenho dúvidas se algum dia houve. Discussões constantes, coisas assim. Não, nunca traí ou fui traído. Não, eu não tinha vícios, nem ela. Gênios diferentes, só isso. Não. Nosso filho não teve nada a ver com isso.

Ele sempre foi um bom pai. Nunca deixou que algo faltasse ao filho. Sempre o visita nos horários combinados e tira férias com o filho. Sempre esteve presente. Sempre atende às emergências com carinho e presteza.
Nunca precisamos ? ao contrário de uma e outra amiga ? ir ao juiz discutir aspectos da educação e do sustento do filho. Mesmo eu havendo me casado de novo, nosso filho não foi a causa e não é um problema.


SABE AQUELES SUJEITOS QUE QUEREM CONVENCER QUE FICARAM COM UMA MENINA? POIS É. ELES DÃO TANTOS DETALHES, QUE FICA NA CARA QUE NEM UM APERTO DE MÃO DERAM NELA.
ELES ANDAM MEIO ASSIM.
FORAM TANTAS AS VEZES NOS ÚLTIMOS DIAS QUE ELES ME DISSERAM QUE NÃO SE DIVORCIARAM POR MINHA CAUSA, QUE EU ACABEI ME CONVENCENDO QUE EU SOU O CULPADO PELO DIVÓRCIO DELES.
FORAM TANTAS AS VEZES QUE ELES ME DISSERAM QUE ME AMAVAM MAIS QUE TUDO, QUE ACABEI ME CONVENCENDO QUE ELES AMAM MAIS A SI MESMOS E ÀS SUAS VIDINHAS.
FORAM TANTAS AS VEZES QUE ELES ME DISSERAM QUE ESTAVAM MAIS FELIZES AGORA, QUE NUNCA ESTIVE TÃO CONVENCIDO DA INFELICIDADE DELES. PIOR. E DA MINHA.

Nunca me casei de novo.
Conhecemo-nos na faculdade. Eu cursava administração de empresas, à noite. Ela, pedagogia pela manhã. Os primeiros encontros foram ao acaso, em festas da universidade. Sempre terminávamos a noite conversando muito. Eu a levava para casa em meu fusquinha. Logo as conversas viraram sonhos, sonhos em comum.
Durante o dia ? eu trabalhava num banco ? ficava pensando quando iríamos nos encontrar novamente. Gostava dela, de tudo nela. Não era a mais bela garota, mas me agradava. Seu pai era bem de vida, e dera a ela uma educação primorosa. Ela viera para estudar, mas morava sozinha, em apartamento próprio. Eu era um pé-rapado, morava em uma república e precisava do banco para me sustentar, mas estudava para melhorar. Acho que deu certo, ao menos nisso...

Você não sabe disso, mas nos dois primeiros anos, foi tudo perfeito. Ele subia no banco, como subgerente. Tínhamos uma vida gostosa e decente. Nada nos faltava. Ele achava tempo para mim e para o casamento. Não sei se foi porque fiquei grávida ou porque ele resolveu abrir sua firma, mas as coisas mudaram.
O mais engraçado é que parece que foi depois de nos separarmos que ele melhorou. Antes, somente se dedicava ao trabalho. Parece que tinha somente a empresa, os empregados, os clientes. Chegava em casa e não me dizia palavra. Nunca perguntava como fora meu dia. Nunca brincava com nosso pequeno. Nunca ficava sozinho com ele.
Devorava a comida e ia dormir. Isso quando não dormia em frente à televisão. Logo cedo, saía para o trabalho. Não ligava durante o dia. Não lembrava datas. Nada. Só trabalho. Os anos passaram.


Logo após a formatura dela, casamo-nos. Eu tinha um emprego mixo num banco, que jamais daria as coisas de que precisávamos. Nossa vida era muito simples. E eu tinha medo de que algo faltasse, principalmente quando viessem os filhos. Foi quando surgiu a minha chance. A oportunidade de abrir uma firma própria, para distribuir programas de computador. Dediquei-me de corpo e alma àquilo. Só queria dar o melhor para minha família.
A Jussara cuidava de tudo enquanto eu corria atrás dos nossos sonhos. Eu chegava em casa tarde da noite, vindo direto do trabalho. Vivia tão cansado que não tinha tempo nem de comer direito. Vinha para casa só para dormir e sair cedo no dia seguinte. Não havia tempo de fazer mais nada que não fosse me dedicar aos nossos sonhos. Os anos passaram.

E com o passar dos anos, parece que nosso casamento ruiu. Eu não tinha mais um marido, mas um estranho que morava na minha casa. Não sei se fui eu que decidi ou se foi ele que propôs, mas a separação foi um alívio.
Não consigo entender por que, mas depois de algum tempo, ela começou a reclamar. E só reclamava. Eu não tinha mais uma mulher, mas alguém que eu não conhecia mais que morava naquela casa. Não era justo: eu trabalhava tanto! Não sei ao certo como foi. Na hora em que vi, estávamos separados.

Toquei minha vida. Conheci o Lobato, casei-me de novo. Mas nunca parei de pensar no Josival. Se ele não poderia ter sido um pouco mais dedicado.
Estou aqui, doutor, porque não consegui tocar a minha vida. A Jussara se casou de novo. Não há mais volta. Mas tanto tempo depois, me questiono se ela não poderia ter sido um pouco mais compreensiva.

NÃO. EU NÃO PRECISO DELES. VOU FAZER DEZOITO NO ANO QUE VEM. VOU BOMBAR NO VESTIBULAR DAQUI. VOU PASSAR NUMA FACULDADE LÁ DE LONGE E ME MANDAR. VOU TOCAR MINHA VIDA. VOU ESCREVER PARA A LU TODOS OS DIAS. VOU AMÁ-LA COMO ELA MERECE SER AMADA. DEPOIS DA FORMATURA, ELA VAI MUDAR PARA LÁ. NÃO VAMOS NOS CASAR ? ESSE NEGÓCIO ESTRESSA MUITO. MAS VAMOS TER UMA VIDA SEM PAPEL. SÓ COM NOSSOS PAPÉIS. VAMOS TER UNS OITO FILHOS E NUNCA VAMOS NOS SEPARAR. POR MAIOR QUE SEJA A CRISE.
O LÊ, AQUELE CARA DA ESCOLA QUE PARECE TER RESPOSTA PARA TUDO ME MOSTROU UM PEDAÇO DA BÍBLIA. EU SEMPRE ACHEI QUE A BÍBLIA ERA UM LIVRO CHEIO DE REZAS PARA VELHINHAS CAROLAS QUE NÃO SABEM O QUE DIZER: «VÓS SOIS... VÓS DEVEIS... NÃO FAREIS ISSO E NEM AQUILO... ». POIS O CARA, UNS DIAS ANTES DA FORMATURA, VIU QUE EU ANDAVA AMUADO PELOS CANTOS. CONTEI SOBRE MEUS PAIS E SEUS DRAMAS. ELE ME VEIO COM UMA REZA DA BÍBLIA QUE FALA DE UM TRIÂNGULO AMOROSO.
FALOU DE JESUS. QUE JESUS DEU A VIDA PELAS PESSOAS A QUEM AMAVA. E QUE, NA FAMÍLIA, O PAI DEVERIA ESTAR PRONTO PARA DAR A VIDA PELA SUA MULHER. QUE A MULHER DEVERIA ESTAR PRONTA A SE DEDICAR AO MARIDO DA MESMA FORMA QUE AS PESSOAS POR QUEM JESUS MORREU DEVEM SE DEDICAR A ELE. QUE OS FILHOS NÃO DEVERIAM SE DESVIAR UM SEGUNDO DO QUE DIZEM E FAZEM OS PAIS. E QUE OS PAIS NÃO DEVERIAM PROVOCAR RAIVA NOS FILHOS.
PAPEL! SÓ PAPEL! ELE QUE ENGOLISSE ESSAS COISAS! «DAR A VIDA», «SUBMETER-SE», «OBEDECER», «NÃO PROVOCAR IRA». PALAVRAS, SÓ PALAVRAS! E A MINHA VIDA?!
FUI PARA CASA. VESTI AQUELE TERNINHO RIDÍCULO. CUMPRI MAIS UMA VEZ O RITUAL DOS SONHOS DELES. DORMI O DOMINGO INTEIRO. E AQUI ESTOU EU. NÃO LEVANTEI DA CAMA EM PLENA SEGUNDA-FEIRA.
MINHA MÃE ESTÁ LÁ EMBAIXO, SENTADA NO COMPUTADOR ESCREVENDO. MEU PAI ME DISSE QUE NÃO IRIA TRABALHAR, PORQUE TINHA QUE CONVERSAR COM UM AMIGO.
EU ESTOU AQUI. E AS PALAVRAS DO LÊ E DAS REZAS NÃO SAEM DA MINHA CABEÇA.
MEU PAI ESTÁ VIVO. MAS ELE DEU A VIDA DELE PELAS SUAS COISAS, E NÃO PELA MINHA MÃE OU POR MIM. NÃO QUE EU PRECISE DISSO. É QUE ELE DESISTIU ANTES.
MINHA MÃE NÃO FARIA QUALQUER COISA PELO MEU PAI OU POR MIM.
ELES ME DERAM COISAS, MAIS COISAS ATÉ DO QUE PRECISO. MAS TENHO ESSA PEDRA NO PEITO.
E EU? SEGUNDO AS REZAS DO LÊ, TENHO QUE FAZER DO JEITO QUE ELES FAZEM? TENHO QUE OBEDECER?
O DEUS DO LÊ E DA BÍBLIA QUE ME DESCULPE. MAS EU QUERO QUE MEUS FILHOS TENHAM UMA FAMÍLIA. E NISSO EU VOU DESOBEDECER MEUS PAIS, NÃO VOU SEGUIR O EXEMPLO DELES.
JÁ QUE NÃO TEM VOLTA AQUI, QUEM SABE SE EU CONSIGO CONSTRUIR UMA VIDA DIFERENTE.

Estou aqui para saber se, ao menos com relação a meu filho eu consiga resgatar alguma coisa.

Por favor, peço a você que me mande aquele texto que o pastor leu na palestra de domingo, que tão lindamente falava sobre filhos e pais, marido e mulher, Jesus e a Igreja. Quem sabe se agora eu consigo resgatar alguma coisa...



Escrito por userID: 179521693141firstName: às 06h44
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SOBRE COMO DEUS NOS FALA

Hoje gostaria de pensar um pouco a respeito de um tema que tem me preocupado um pouco.

Deus nos falando. E Ele fala.

Deus nos fala através de Sua Palavra. Começamos a entender Seu caráter quando a Bíblia é metabolizada, digerida, e começa a fazer parte de nosso cotidiano. É isso que faz a educação e o livre interpretar da Palavra, através da ação do Espírito, serem tão importantes. É isso que faz a diferença entre nossa Fé reformada e a Fé evangélica ou pentecostal (sempre com o respeito que cada segmento merece).

A Palavra de Deus precisa ser uma constante. A leitura e o estudo diligentes. O constante meditar, não mera leitura mecânica, como se se tratasse de um mantra. Como se um chazinho das páginas da Bíblia pudesse curar dor de barriga (o que fazer das Bíblias eletrônicas? Enfiar o dedo no drive?). Esse constante ler, meditar, questionar e procurar na vida onde aplicar é que fazem com que Deus nos fale.

Tenha certeza de que assim Deus nos fala.

Não desmereço ? não é essa a intenção ? irmãos e irmãs que tiveram experiências místicas, sobrenaturais, revelações pontuais ou coisas assim. Essas coisas devem ser muito marcantes para quem as tem.

Só escrevo esta breve mensagem para tranqüilizar alguns que têm ouvido e lido sobre a necessidade de experiências sobrenaturais para firmar nossa Fé.

Não sou um grande crente, embora seja velhinho na caminhada (já se vão trinta anos). Em cima das minhas botas e embaixo do meu chapéu já passei por muitas, m-u-i-t-a-s experiências valiosas a respeito de ouvir Deus falar. Nunca vi ou ouvi ? no sentido fisiológico do termo ? nenhuma manifestação dessas.

Não desmereço quem as narra. Acho até bacana. Sinto mesmo uma pontinha de vontade de que acontecesse algo assim comigo.

Minha preocupação é com os novos. Para que não dependam de esperar nada assim, ou para que não desmereçam seus encontros com a Palavra de Deus só porque não contêm visões ou manifestações.

O Espírito de Deus fala conosco, constantemente, se tivermos ligação com a Palavra de Deus, se tivermos caminhada ao Seu lado, preocupados em andar como Jesus andou.

E, se essas falas são sempre relatáveis e proveitosas (quantas vezes encontramos respostas que Ele nos deu sem verbalizar?), nem sempre são visíveis, audíveis, ou perceptíveis através dos sentidos.

Portanto, irmão ou irmã, não se assuste se nunca se arrepiou ou se nunca chorou. Isso são emoções e passam. Não deprecie sua experiência com Deus se ela se limita a entender. É isso exatamente o que Ele quer, o que espera de nós. Que cresçamos. Se vai haver ou não resposta emocional, cada um reage de um jeito.

Em resumo, Deus sempre fala, diariamente ao nosso coração e à nossa mente. Pode não se manifestar com grandes eventos. Mas fala, todo dia, toda hora. E isso através da Sua Palavra. Tem propósitos e nos mostra quais são a cada dia, sem a necessidade de fonemas.

Se você, como eu, não tem experiências mirabolantes para contar. Fique tranqüilo. Isso não é sinal de ausência de espiritualidade. Quem as teve, por outro lado, não é maior e nem menor do que você. Apenas vive uma vida diferente da sua.

É isso.

Aquele abraço a todos.



Escrito por userID: 179521693141firstName: às 05h02
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MARCOLINO E O SOFÁ-CAMA



«Para ficar claro que não devo me exaltar...
foi-me dado conviver com um espinho na carne...
que me esbofeteia todos os dias...
três vezes pedi ao Senhor que o tirasse de mim...
Ele me disse: ?a minha Graça é o bastante...
?o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza...?
(Paulo, em II Coríntios 12, paráfrase)

(Para Eduardo Baez e Ivan Capellato)



Marcolino veio subindo a rua com sua pasta. Saíra de uma reunião de vendas pesadíssima em São Paulo. Fechara mais um negócio. Pequeno, mas fechara. O dia, para sua surpresa, estava quase no fim. O calor matava. O ar condicionado que lá dentro do escritório estava gelado demais, fazia o calor aqui fora parecer ainda mais intenso. Tudo o que queria era uma água gelada, pegar o carro no estacionamento e ir para Campinas antes do "rush".

Parou num pequeno bar e pediu uma garrafa de água com gás. Pediu uma segunda e pensou num cafezinho. Descartou: calor demais. Em um segundo, passou os olhos pelas diversas garrafas expostas na prateleira. Queria ir embora.

Logo pegou a Marginal do Tietê. Impressionantemente, o trânsito vinha calmo. Saiu de São Paulo em vinte minutos, e logo estava na estrada que o levaria para casa. Pôs um CD de John Coltrane para tocar. Afrouxou a gravata, puxou as calças até o joelho, deixando o ar condicionado refrescar os tornozelos. Tirou o sapato do pé esquerdo, e logo o pôs de volta. Recostou-se e deixou que o som choroso de «In a Sentimental Mood» penetrasse pelos ouvidos e varresse de dentro da cabeça tudo o que significava enfado.

Pensou nos filhos. Aquelas duas pequenas criaturas que tanto dependiam dele. Onde estariam agora? Certamente na escola. Lembrou-se que ficaria com eles à noite. Que havia arrumado o apartamento. Que comprara uma lasanha de quatro queijos congelada. Que pegara o filme original de «A Fantástica Fábrica de Chocolate», com o genial Gene Wilder, muito melhor que aquele lixo computadorizado com o insuportável Johnny Depp. A música fez o efeito esperado. Metade da estrada e já estava relaxado. Agradeceu por isso, pelos filhos, pelo excelente relacionamento com eles.

Chegou na cidade quando escurecia. Parou o carro na porta do prédio de Rosemary e fez sua já peculiar oração pedindo sabedoria e paciência.

Os pequenos já estavam no saguão de entrada, com suas mochilinhas repletas de coisinhas, e seus sorrisos repletos de planos e de coisas para contar. Era um bom pai, sabia disso. Não fora dantes, mas agora era um bom pai.

Nos poucos segundos entre parar o carro e ir até o saguão contou várias vezes até dez. Manteria a calma, sabia disso. Não haveria discussões estéreis. Era um bom pai, sabia disso. Era um bom pai. Um bom pai. Um pai.
Rosemary veio logo atrás das crianças. Cumprimentou-o friamente e fez questão de chegar perto. Quis sentir-lhe o hálito. Ver se não havia bebido. Questionou-se até quando ela duvidaria que ele havia mudado. Que a bebida deixara de ser um problema. Já estava «limpo» há três anos. Depois de tantas mostras, como ela podia duvidar? Achou melhor não dizer palavra. Amanhã cedo traria os pequenos de volta. Bendita seja a guarda compartilhada. Pôs as crianças no banco de trás e saiu.

Chegou no pequeno apartamento. Olhou os cadernos, as lições de casa. Tirou as roupinhas das mochilas e pôs no armário. Montou o sofá-cama onde dormiria. Tinha uma parte do tecido que o revestia puído. Era puído, mas era o mais em conta, de acordo com o que restava do salário. Era puído, e por isso mesmo os filhos não dormiriam ali. Como de costume, os dois pequenos dormiriam no quarto. Comeram a lasanha. Frutas de sobremesa; tem que comer; sem conversa, tem que comer. Assistiram juntos ao filme. O mais velho não gostou: não havia os efeitos especiais. O mais novo gostou mais deste que vira abraçado com o pai. Hora de dormir e os pequenos vão para a cama. Orações, uma conversinha sobre o dia e o soninho. Boa noite.

Marcolino estava só, agora, com seus pensamentos.

Pensou em Rosemary. No divórcio que se iniciou conturbado, mas que ao final foi amigável. Nos primeiros tempos em que a solteirice foi um alívio. Poderia beber quando e o quanto quisesse. No amigo que um dia o encontrou caído na porta de um bar. Nas visitas que começou a lhe fazer. No pequeno grupo que se reunia na casa do amigo. Na mensagem que finalmente entendera e aceitara. Jesus pagando seu preço e aceitando-o como é. Sem reservas. Sem limites. Nos anos de caminhada. Estava limpo.

Agora, aqui, sozinho, a dor de haver perdido o tempo passado. De ter perdido um casamento. Rosemary agüentou o mais que pôde. Dois empregos perdidos por conta do copo. Um ano sem trabalhar. Sucessivos tratamentos sem resultado. O patrimônio se foi primeiro. Depois, os sonhos. Depois, o amor. Depois, o casamento.

Lembrou-se mais uma vez das noites sem fim. De acordar e não saber onde estava. Das mulheres que desfilaram por sua solteirice. De algo que chamavam de «fazer amor», mas que não tinha sentimentos. Não tinha abraços. Não tinha nomes. Não tinha amor, mas só fazer. Da bebida. Da bebida.

Era um alcoólico. Sabia disso. Não havia caminhos de volta. Seria um alcoólico para o resto de sua vida. Pensou se isso passava pela cabeça de seu grupo de estudo bíblico.

Às vezes, acordava suado com um pesadelo corrente. Rosemary aos gritos, entrando na sala da casa onde o grupo se reunia. «Bêbado! Bêbado!». A vergonha de ter que explicar que se controlava, há anos que se controlava, mas que aquilo não saía de diante, de trás, de baixo e de cima de si. Que pedira por um milagre. E que esse milagre não viera.

Como dói! Foi cobrir as crianças no quarto.

Voltou à sala, e pensou em Paulo, o apóstolo, não o amigo. Do que lera a seu respeito na Bíblia uns dias antes. Que havia um espinho, um mensageiro do diabo para esbofeteá-lo. Que pedira por três vezes para se ver livre. «Pai, tira de mim...». Depois não pediu mais pois o que Deus faz por ele se aperfeiçoa no espinho. No fim, ele chama o espinho de graça.

Já tinha ouvido em algum lugar que teólogos querem crer que o espinho era um problema na vista. Que isso fica muito óbvio quando se lê a narrativa sobre os irmãos que se pudessem dariam seus próprios olhos por ele. Custava a Marcolino crer. Paulo lá no fundo se mostrava um sujeito amargo, rancoroso. Um sujeito que quando ficava sozinho remoía dentro de si alguma coisa de seu passado. Como Marcolino, agora.

Podia ser uma provação mais íntima. Algo de que se envergonharia em público e que, em dado tempo, percebeu ser mais Graça que desgraça. Percebeu que só fazia mal a si. E que servia apenas para desmontar seu imenso ego. Apenas para fazê-lo não confiar cegamente em sua cultura ou em sua sólida formação religiosa. Ou pior: para fazê-lo não ser arrogante com relação às inúmeras almas que arrebanhava ao longo de seu novo Caminho.

É. É isso. Tinha um sonho. Um sonho de aquele passado não fizesse mais sentido. E que um dia, Rosemary estivesse ali sentada, com ele, ouvindo uma bela mensagem e comungando de seu novo coração de carne. Não seria mais sua esposa. Casara de novo com um bom sujeito. Mas seria sua amiga. Sua irmã.

Pensou consigo que Deus é Deus. Com a consciência tranqüila, sem ter problemas com a própria deidade. Até há pouco, nem sabia que esta palavra existe. Deus é Deus sem ter melindres ou dramas.

Deus não tem chulé, meias velhas ou sofá-cama puído na sua sala. Não tem contas vencidas a pagar. Não tem dramas de consciência. E não precisa sublimar isso com sentimentos mais ou menos escusos.

Pensou que ele, Marcolino, é quem precisa disso. E Paulo. E Ricardo. E Eduardo. E Renato.

Não sabia o que precisamente Paulo chamava de «espinho». Mas pensou naquele momento que Deus não brinca com a história das pessoas. Que educa, faz crescer. E se já pagou as contas, não se importa mais com o mau-cheiro quando tira os sapatos, ou com os furos nas meias um pouco velhas, ou com os do sofá-cama. Aqueles problemas que só as pessoas sabem que têm.

Pensou que nós é que erramos. Primeiro, em achar que isso -diante dele- é um problema. Naquele dia ele dirá: «do que você está falando, Marcolino?». E segundo, por acharmos que não estamos sujeitos aos furos de nossos sofás.

Pensou que era uma pessoa qualquer, que a fé não torna ninguém um super-homem. A queda estava nos planos dele. Os filhos dormindo no quarto, o emprego, o grupo de estudo, agora, só querem dizer que Deus faz, apesar da história. A Graça basta.

Amadurecer não é fácil. Passava exatamente por isso, agora: dor do crescimento. Por isso o pensamento sobre as inconfessáveis frieiras da alma. Todo mundo é lobo por dentro. Todo mundo tem um sofá-cama de que se envergonhar.

Tinha o seu milagre, suspirou. Virou para o lado. Acordou só no dia seguinte.



Escrito por userID: 179521693141firstName: às 05h37
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Na vida de hoje, parece que não há mais espaço para a mulher que não trabalha. Parece que o casal se tornou responsável mútuo pelo sustento da família.
 
Gostaria de dar meu pitaco nisso.
 
Venho de um lar equilibrado. Com meu saudoso pai trabalhando (às vezes em mais de dois empregos) e minha querida mãe dando conta de administrar a casa e cuidar de mim, de minhas irmãs e de meu irmão.
 
Não me lembro de alguém haver questionado a autoridade de meu pai. Autoridade, ao contrário do que minha geração pensa, é o legítimo exercício do Poder; não se confunde com algo narcísico, mas se confunde com serviço; não se confunde com autoritarismo puro e simples, mas com amor.
 
Pois meu pai trabalhava em três horários (ele era policial), no horário livre, fazia serviços como marceneiro. E uma recordação que tenho bem clara é daquele homem fazendo comida aos finais de semana, ou ajudando a mim e a meus irmãos nas dificuldades escolares, ou no quanto era gostoso acordar de madrugada quando ele trabalhava à noite e deitar-me pertinho dele enquanto tomava uma rápida refeição antes de sair para o outro turno.
 
Mais uma vez o princípio, e não o exemplo.
 
Não me lembro de meu pai reclamando da vida. Embora passasse a maior parte do tempo trabalhando, não me lembro dele estar ausente daquela casinha. Não consigo dissociar minha infância de um porto seguro. Não consigo imaginar Julia e Beatriz tendo uma infância diferente da minha.
 
Atenção e carinho valem mais pela efetividade e qualidade do que pela quantidade.
 
Posso mencionar uma mãe que largou uma linda carreira no magistério para "dedicar mais tempo aos seus filhos". Dorme até as 10h e os filhos ficam à própria sorte, sem poder fazer barulho. Quem cuida deles é um batalhão de empregadas e babás. Nada contra, se for necessário.
 
Presença física não significa por si só a atenção que os filhos requerem e merecem. O que vale é a observação dos princípios.
 
Dia desses, fiquei sabendo de um pai que, sob a argumentação de dar aos filhos um futuro melhor, passou a trabalhar 14 horas por dia. Saía de casa às 07h00 e voltava às 21h00. O filho ficou rebelde, bateu em amigos na escola, caiu de rendimento. Aconselhado por um terapeuta familiar, como não podia abrir mão do extenuante horário, ia jantar depois das 22h: ao chegar em casa, a lição de casa do filho o esperava. E ali o bate-papo, a atenção e o suporte emocional que o filho necessitava. Depois, o jantar e o descanso. O filho se achou; o pai se reencontrou.
 
Carinho não é quantidade: é qualidade.
 
Por fim, um último fato. Verídico.
 
O filho adolescente se aproveitou das lacunas decorrentes da indiferença do pai e passou a andar em más companhias. Andou tanto que virou ele mesmo má companhia. Quando o pai, empresário rico e bem-sucedido, se deu conta, o filho se tornara usuário de cocaína. Fora preso pela polícia. Aquele pai decidiu que remiria o tempo. Tentou terapias infindas em vão. Até que mais de um ano depois, resolveu dar um basta. Deixou um pouco sua empresa e disse ao filho que estavam juntos. Que se o filho fosse usar cocaína, ele usaria junto, que se o filho fosse internado, ele o seria junto, que se o filho fosse preso, ele iria junto. Aquele pai passou a acompanhar o filho na escola, o filho a acompanhá-lo no trabalho. Alguns dias depois, o filho em meio a uma crise de abstinência pediu ao pai que o levasse a uma "biqueira". O pai, procurando cumprir sua palavra, levou o filho de carro até o local. Deu o dobro do dinheiro necessário e pediu ao filho que comprasse a mesma quantidade de cocaína para ele também. O filho trouxe. Pararam o carro em um local ermo. O pai pediu ao filho que o ensinasse a usar. Dadas as orientações, e passada a eternidade de segundos entre arrumar o pó e o canudo, quando o pai ia aspirar a substância ("Deus, onde o Senhor está?!?!"), o filho deu-lhe um tapa na mão. Disse ao pai que não iria fazer aquilo com ele. Pediu que fosse internado para desintoxicação. Ambos o foram. Pai e filho se salvaram. O filho, da drogadição. O pai, da indiferença. Hoje dirigem juntos um grupo  de orientação a pais na mesma situação.
 
Há tempo de salvarmos nossos filhos.
 
Basta que eles, criancinhas como as minhas, adolescentes ou mesmo adultos vejam coerência entre intenção e gesto.
 
Essa é a essência do amor de Deus. Recomeçar. Não há pontes que não possam ser reconstruídas, abismos que não possam ser ultrapassados, crises que não possam ser suplantadas. Há graus de esforço e dedicação, decorrentes do tempo a remir.
 
Princípio é isso: coerência entre a intenção e o gesto. De resto, há uma promessa: passe o sangue no umbral de sua porta e o anjo da morte não entrará. É promessa. Ele cumpre Sua palavra.
 
Faça prova disso.


Escrito por Noadir às 09h25
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Nós e nossos filhos

Conforme foi dito na mensagem de ontem, seja na dedicação diuturna de uma mãe ao escrever as memórias da educação de seus filhinhos, seja na renúncia a parcelas da vida profissional, o que vale é o princípio, a postura, e não o exemplo em si.
 
O que há de errado conosco?
 
É que esquecemos da humanidade dos nossos filhos. Achamos que filho é como árvore. Que se forem plantados num local com boa insolação, recebendo boa nutrição, hão de crescer e cumprir seu destino.
 
Entende-se, na média, hoje em dia, que se forem dadas COISAS boas para os filhos, eles crescerão e se desenvolverão.
 
Chamou-me muito a atenção o texto de Deuteronômio, lido ontem, que tem sido objeto de reflexão já há algum tempo.
 
Primeiro: a palavra ser ensinada ao se sentar, ao se levantar e andando à beira do caminho. Para isso, devo estar com minhas filhas. Devo ficar com elas para que aprendam esses princípios.
 
Segundo: amarrar a Palavra na testa e no braço. Testa é intenção. Braço é gesto. A palavra que quero que elas aprendam deve estar não apenas na minha intenção, mas em meu gesto.
 
Terceiro: escrever nos umbrais da porta. Há uma clara menção a Cristo. Ao sangue do cordeiro comido na Páscoa que deveria ser passado sobre a porta para que o anjo da morte não entrasse na casa. A Palavra ser escrita na porta significa Graça. Graça que é para mim e para minha família.
 
Gostaria de acrescentar meu pitaco: se eu investir meu tempo nas minhas filhas, ensinando a Palavra a elas não apenas como intenção, mas como gesto, o anjo da morte não entra na minha casa.
 
Como fazer isso?
 
Olha ao teu redor, eis teus irmãos.
 


Escrito por Noadir às 09h25
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O Sonho

Música nova: baseada em um trecho de um pensamento do amigo Ricardo Agreste, a respeito do desejo de Deus de que não sejamos uma lancha, mas um barco a vela, que sabe negociar com o vento adverso.


O sonho que Teu povo sonha

Não é algo que não se alcança

Não é só um pensamento breve

É obra, é luta, envolve esperança

O sonho que Teu povo sonha

Não é feito do jeito que der

Não é apenas uma crença em branco

É obra, é luta e envolve Fé.

O sonho que Teu povo sonha

Não é fruto de cansaço e dor

Não é o tempo que sobrou ou enfado

É obra, é luta e envolve amor.

Um barco a vela, um planador

O sonho que teu povo sonha

abraça o vento do Teu desejar.

Brisa leve que lhe enche o peito

e o leva adiante em alto mar.

Vento forte que lhe envolve os braços

e o faz voar!




Escrito por Noadir às 10h50
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João e Saulo de Mãos Dadas

Tenho lido nestes últimos dias o Evangelho de João. E também estou escrevendo uma música sobre Saulo.

 João é um evangelista que tem imensa preocupação em apresentar Jesus como sendo o Messias. Viveu uma experiência linda - e sua geração foi a única - de viver uma parte de sua vida esperando o Messias e de tê-lo encontrado pessoalmente.

 Passou da fé judaica legítima para a Fé no Cristo que a legitimou. Uma transição, uma simples e natural transição. Lembro-me vagamente que a Teologia dá um nome a isso; contudo, não me recordo qual seja ele.

 A partir de Cristo, a fé judaica passou a ser vã. João foi um dos poucos que viveu isso.

 Saulo foi outro. Não acredito que haja «conversão» ali, no sentido em que usamos esse termo hoje. O que ocorreu foi o encontro de duas realidades. E aquela mesma transição.

 Quando Jesus responde à indagação de Saulo sobre quem seria, diz: «Eu sou a quem tu persegues».

 Que belíssima duplicidade de sentidos reserva essa assertiva. Ainda não me informei com alguém versado em Teologia sobre a possibilidade desse trocadilho no texto original. Mas a realidade dos fatos narrados mostra ser plenamente possível esse entendimento. Saulo perseguia aos cristãos, chegando mesmo a ser partícipe (no sentido jurídico-penal do termo: veja o artigo 29 do Código Penal) da morte de Estêvão. Perseguia os cristãos porque perseguia o sonho de ver um Messias.

 A resposta «sou a quem persegues» satisfaz a duas realidades.

 Quando você prende, persegue e mata os do Caminho (acho linda essa expressão de Atos) está perseguindo a Mim.

 Eu sou aquele a quem você perseguia com o exercício de sua fé judaica.

 Você me encontrou, Saulo. Não precisa mais perseguir.

 «Eu sou a quem você persegue, Saulo. E corre atrás sem alcançar, Saulo. Respire contra minha gente que isso te sufoca e vai te cegar», de acordo com uma frase da música, ainda que não seja definitiva.

 E João - a quem sem querer encontrei de mãos dadas com Saulo hoje ao folhear seu evangelho - escreve a mais bela narrativa sobre a vida de Cristo. E com a preocupação de mostrar a todos o que encontrou.

 Eu era judeu e encontrei o Messias (morram de inveja...). Ouçam todos, o Messias veio!

 João não sabia que era inspirado (acredito que nenhum autor bíblico sabia...). Não tinha noção da dimensão de seus escritos e da sua responsabilidade em escrever. Não sabia que sua narrativa comporia o cânone. Não sabia que suas palavras encontrariam hoje, séculos e séculos depois, um coração aberto e pronto a entender. Não sabia que o Espírito Santo soprava nos seus ouvidos as palavras que escrevia, e que sopraria nos ouvidos da humanidade, através de sua leitura, a Palavra de Deus. Não sabia que, alguns anos depois, Lucas narraria nos Atos dos Apóstolos mais uma experiência dessa gente que pisou no mesmo chão que Jesus.

 Só sabia que sua busca terminara. Encontrara o Cristo. Estava feliz e escrevia a respeito disso. Para que outros soubessem, para que outros entendessem.

 Saulo respirou ameaças contra os do Caminho e foi afogado por essas circunstâncias. Ficou cego, foi conduzido pela mão a Damasco. Seu inigualável preparo aos pés de Gamaliel o legitimava perante os judeus; sua condição de cidadão romano o preservava perante os dominadores; sua origem grega fazia dele um gentio. Quando algo parecido com escamas caiu de seus olhos, pôde enxergar essa dimensão. Usou suas características pessoais como poucos para apregoar que encontrara o Messias.

 Ambos terminaram a vida terreal no exílio.

 Ambos cumpriram seu serviço ao Reino com denodo inigualável.

 Ambos deixaram livros inspirados e escreveram, inspirados, a Bíblia.

 O Espírito Santo, hoje, me iluminou através da vida desses dois grandes judeus, desses dois grandes cristãos.



Escrito por Noadir às 16h06
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PERFEIÇÃO é uma música que fala sobre o Salmo 119; um versículo lá no final que diz que viu limite a toda a perfeição, mas que o Mandamento é ilimitado. Talvez seja a minha preferida. Lá vai:

De tanto ouvir Tua sabedoria

Eu possa aprender a ser sábio também.

Pura Justiça são Teus testemunhos.

Abres meus olhos, enxergo além.

A soma de Tua Palavra é verdade.

É luz no caminho, é viva, eficaz.

Fiel será quando a questionarem

e vou amá-la ainda mais.

Porque em toda perfeição que vi achei limite,

Mas tua Palavra nunca encontrará seu fim.

O teu ensino é tão culto e preclaro,

o mais erudito não pode entender.

E o revelaste aos teus pequeninos,

Teu é o ensino, Tu deste o aprender.

Penetra mais do que qualquer espada.

É vida, é pão, é martelo, é mel.

É Deus nos falando aqui em nosso meio.

É Cristo, é Emanuel!



Escrito por Noadir às 16h06
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Jesus chorou/ Vida e Ressurreição

 

Estas músicas falam sobre a experiência de Lázaro e de suas irmãs, Marta e Maria, com Jesus. Jesus mostrou sensibilidade humana, coisa que às vezes custamos crer que Ele tinha. E tirou disso um ensinamento seriíssimo sobre o que são a vida e a morte para Ele, e o que seriam na Sua e na nossa história.

 

Nada nos dói mais do que ver morrer

Alguém que amamos e assistir inertes.

Ele adoeceu, mandei te chamar.

Que triste sorte, não chegaste em tempo!

 

“Ele vai chegar, vem p’ra te curar”

dizia eu ao meu irmão doente.

Quis te ver aqui. Triste vejo que

Viesses breve e ele não morreria

 

Sente nossa dor, vem e vê, Senhor:

Pusemos nosso irmão neste sepulcro.

 

Esse prantear cabe em mim também.

Perturba-se meu ser.

Eu amo meu amigo mais que a mim...

 

Jesus chorou.

 

“Retirem a pedra que tampa o sepulcro

se crerem, então verão,

glorificarão a Deus.

Ó Pai, sei que me ouves e isso é sempre,

Mas por esta multidão,

P’ra que saibam de onde eu vim.

P’ra que creia em ti esta multidão que chora,

Levanto minha voz assim, agora.

Para a Glória de Deus eu ordeno: Sem demora,

Amigo, te levanta e vem para fora!”

 

Saiu então o que estivera morto

Tendo os pés e mãos atados

E um lenço no seu rosto.

E muitos dos que viram creram n’Ele.

Vi da morte sair vida,

Não é diferente em nós.

Se fez ressurgir para esta transitória lida

A alma que julgava-se perdida

Não dirá, então, à tua alma tão querida:

“Amigo, te levanta e vem para a vida”?

 

Vida e ressurreição

Os que crêem em Cristo inda que morram viverão.

Vida e ressurreição

E os que crêem n’Ele e vivem nunca morrerão!



Escrito por Noadir às 15h35
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Bom te ver

Irmão, é bom te ver, olhar para você

Falar do tempo em que estivemos longe

Agrada tanto a Deus nós dois termos, assim,

tanta harmonia em nossas vidas.

Vêm de Deus suavidade e união

É como o óleo bom sobre a cabeça

Vem do céu, é como o orvalho sobre nós,

já não estamos sós na vida!

Irmão, é bom te ver, podermos dividir

na nossa luta forças e fraquezas.

Ouvindo Deus falar, orando com você,

vendo o Corpo crescer de dentro.

Vêm de Deus suavidade e união

É como o óleo bom sobre a cabeça

Vem do céu, é como o orvalho sobre nós,

já não estamos sós na vida!

Essa música é uma leitura do Salmo 133. Fala sobre Igreja, sobre fé em conjunto.



Escrito por Noadir às 09h44
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