Quando eu era menino pensava como menino e me vestia assim. Era assim. Mas crescer dói e substitui medos por piores fantasmas e monstros. Que sugam a alma em plena luz do sol. Vestir-se como um adulto? Para quem? Para quê? Ninguém é adulto. Crianças malnutridas engolidas pelas roupas maiores. Pelas grandes golas que sufocam. Pelos enormes sapatos que patinam ao andar. Ninguém cresceu. Seguiram apenas. Andaram trilhas ou desbravaram matas. Mas ruminam dores que não conseguem digerir. Importa ser criança. Não ter trilhas e nem roteiros. Importa caber nas suas roupas. Caber nos seus sonhos. Caber. Ninguém ganha o reino se não for como o menino...
Escrito por Noadir às 10h43
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